canções ditas (e​.​p. 1) ku42

by benjamin silva-pereira

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ku42
canções ditas (1)
benjamin silva-pereira

1. mar cego
2. oitenta maneiras de morrer
3. mar cego (vox)
4. oitenta maneiras de morrer (versão a capella, quase)
5. mar cego (instrumental)
6. oitenta maneiras de morrer (instrumental)



(1991) oitenta maneiras de morrer:

forasteiro inventado na postura violenta do fogo
não ouve o corpo absurdo tombar,
derrepente. personagem de si próprio.

rodeado de bestiários e xadrez, o rapaz vence!
suicídio, pelo esplendor da timidez, periférico
buscar. envelhecimento do único.

a essência da intuição de certos outros sinais.
que procuro no sacrifício frio de teus olhos?
fosse feiticeiro, e partilharmos a morte.

dessassossego perante o adormecer fingido da vontade,
leio páginas atonais de Pasolini, estremeço e
calo-me. há um limite sem voz,
branco, que asfixia, memória.

pagão e abismal, presto-me insaciável a contradição.
Llull, quão tolo prevaricaste, amado e amigo,
não existe certo nem verdade. sim, vontade.

encontro-te, não te busco nunca, espelho.
a sensibilidade do silêncio magnético, novo,
na tua face lívida, desesperada de cio.

desdenho do reconhecimento, delicadeza nómada,
pois sou um acaso trágico da criação.
viajar tao superfluo da minha escrita.

petalazinha frágil, subitamente caída, ácida,
mudas o destino, porque não lhe foges.
vermelho, e o som da tua ternura, irónica.

vives em pleno inverno sorrindo à saudade,
imperfeito bonito espelhando o momento largo.
que adjectivo superar nas tuas lágrimas.

sabes todas as coisas desnecessarias, marginais
às palavras, em grandes prantos inúteis.
que é feito do beijo perfeito, ausente?

exigir poemas incandescentes futuros ao
simples criado ténue das palavras, só.
impossível! pouco a pouco morre, inquieto.

outra vez a sombra poderosa do tempo que se afunda
por entre os arábicos e estupidos fios do cigarro.
que solução em escolhermos a nossa morte?


(1992) mar cego:

piedade, o tom calmo da sinfonia do deus
menor. a explicação dos mecanismos da atração
nem os deuses as sabem; se sim, não o seriam.

a noite cansa, move-se lenta pelos desejos de
carne e sulforoso esperma animal rápido.
cavalgando etéreas, as bichas blasfemam!

nada enriquece o sal da minha saliva, nada de
nada parece ser o gosto da fome que pressinto.
terão os deuses notado em mim, castigando-me,
a paixão?

tudo é imenso complexo. não voltam as névoas
à volta das fogueiras onde as magas dançam?
que aliciante ou vertigem querem? Avalon ou Roma?

pedidos de clemência nos olhos aquosos do rapaz
implorando a infinitude de estalactites na íris.
a vida não poderá ser apenas relâmpago de cio.

penetro a carne ingénua ao som da tempestade
dolorida dos teus dentes rangentes, choro
porque é apenas um acaso de demência, meu.

amanhã retornará a fornalha solar e as sementes
negras
do infortunio eterno envolvendo as nuvens de
cinzento, e
vomitará a aldeia os escombros ultrajados da
maldade.

violoncelos agrestes durante o absorver
da tua pele
despida; descampados do peito com rosas,
perfeito
perfume que protejo, rogando a benção virgem
da tua boca.

triste acabo o carnaval sumarento do teu
doentio
desejo, retorno a suplica impossivel de dias
tardios?
não sei, ao preencher-te, acabo sempre por
perder-me.

apesar de tudo nunca se está só. chora-se como
o estampado rosado de musica antiga; os ancestrais corpos amados adivinham-se silhuetas angelicais.

a cama, como as pessoas, é coisa deserta, os seus
ventos esculpem melancolias e desesperos, áridos,
aqui a solidão inverte-s em memorias brancas, miragens.

se os gritos com que te falam se ouvissem,
as vozes
seriam mais agrilhoadas, ainda falsas,
provocariam rugas, seriam abutres famintos.

deviamos morrer a cada flama de semente de
paixão,
não teria agora de rumorejar contra a memória.

que serve querer amar?
os corpos apodrecem.

todos os verões me suícido do sal da tua boca
copulando com o dourado da pele,
a voz que senti divina.

o mar, sempre o mar, cego,
.
.

credits

released 20 August 2014

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